O Empresário e Outras Bagatelas, de Mozart e não só

O EMPRESÁRIO E OUTRAS BAGATELAS, DE MOZART E NÃO SÓ

5 e 6 de junho de 2026

Sexta – 21h00
Sábado – 18h00

M/16 | BILHETES : 5,00 A 7,00 EUROS 

Frank é um empresário com altos padrões de qualidade que trabalha com a sua assistente, uma aspirante a artista, na produção de óperas e peças de teatro. Ao conseguirem um subsídio muito inferior ao solicitado para realizar uma produção em Salzburgo, inicia-se uma verdadeira maratona na seleção dos cantores. Frank, apesar dos condicionalismos, deseja montar algo de bom gosto, de inquestionável qualidade, mas a sua assistente, de modo a viabilizar a produção, só pensa em cantores e soluções alternativas. É colocado um anúncio para os testes de seleção e começam a chegar os candidatos.

Der Schauspieldirektor, K.486 é um exemplo clássico do Singspiel, um género alemão que mistura partes faladas com números musicais — algo entre teatro e ópera. A obra foi composta por Wolfgang Amadeus Mozart em tempo recorde (cerca de 17 dias) e estreou no Palácio de Schönbrunn em 1786, com libreto de Johann Gottlieb Stephanie Jr. O que torna esta peça particularmente interessante é o seu caráter meta-teatral: fala sobre o próprio mundo do espetáculo. Na sinopse que apresentas, isso aparece de forma moderna e adaptada — Frank, o empresário exigente, e a sua assistente enfrentam limitações financeiras e entram numa corrida para montar uma produção viável. O conflito entre “qualidade artística” e “pragmatismo” é central e continua bastante atual. Além da abertura, a ópera é constituída por quatro números musicais.  O libreto original contém seis papéis para atores e quatro para cantores. Nesta produção do Estúdio de Ópera da ESMAE, os atores são substituídos por cantores que interpretam outras árias (de Mozart e não só) que mantém a fluidez musical e dão unidade ao espetáculo, ao mesmo tempo que homenageiam o repertório mais amplo.

António Durães

É comum dizer-se que a dupla Mozart/ Da Ponte redefiniu a ópera, redimensionou a potência da relação musico-teatral e, alguém dizia até que poderíamos bem viver só com as suas criações. Prová-lo não é tarefa demorada nem árdua. Percorram-se as partituras de Cosi fan Tutte, As Bodas de Fígaro ou D. Giovanni, com olhos e ouvidos atentos, e ao cabo de algumas páginas teremos uma resposta, provavelmente, inequívoca. Mas, também é verdade que a longa viagem da ópera foi escrita por muitas outras mãos e espíritos extraordinários, trazendo à música novas dimensões teatrais. Elaborado num contexto de Estúdio de Ópera, o programa que hoje aqui nos traz, visita algumas páginas criadas por alguns dos espíritos teatrais que moldaram a ópera tal como a conhecemos: Bernstein, Verdi, Donizetti e, claro, Mozart. Mergulhar nestes diferentes universos é indispensável para o crescimento do jovem cantor. Musica e teatro potenciam-se e oferecem o justo impulso ao jogo coletivo e à descoberta individual. Pela justeza da escrita, abre-se, a cada regresso, uma nova leitura, uma outra possibilidade de realização, um novo insuflar de vida; recitativos, árias, conjuntos e cenas são postas na mesa para dar a manusear tempos de ação, de espera, de reação, de jogo teatral e musical, entre o “eu” e os outros, arriscando novos sons, gestos e – fundamental – novas formas de olhar e pensar o escrito. Visitar estas páginas é como visitar aquele amigo que nos delicia contando sempre a mesma história de um modo diferente. Mas mais do que isso é fazer dessa história a história de cada um dos que se cruzam com ela e a fazem sua. Viva Mozart.

Mário Alves

Equipa Criativa e Artística

Música
W. A. Mozart (1756-1791)

Libreto
Gottlieb Stephanie der Jüngere (1741-1800)

Adaptação e (Re)Texto
António Durães
a partir da tradução e adaptação de Virgílio Melo

Direção Artística e Produção
António Salgado

Direção Musical
Jan Wierzba

Encenação
António Durães
inclui cenas anteriormente montadas por Mário João Alves

Correpetição
David Ferreira
Andoni Muñoz Zábal
Miguel Santos

Cenografia
Manuela Braga

Luz
Bárbara Rey

Figurinos
Ariana Pinto
Maria Inês Ferreira

Direção de Cena e Produção
Íris Murta

Orquestra ESMAE

Produção Ópera Estúdio ESMAE